Sobre verdadeiras caixas-pretas

Das mudanças que as novas tecnologias trouxeram, o impacto na forma de comunicar é a que mais nos interessa. Sabemos que o comportamento de consumo de informações se modificou totalmente a partir do momento em que migramos da mídia impressa para a mídia digital.

Qualquer pedaço de papel que tenha sido impresso, passou (quase sempre) pelas etapas de produção do conteúdo textual e fotográfico, diagramação, revisão e produção das chapas para finalmente ser impresso. Em todas as fases, havia um zelo enorme para evitar qualquer equívoco que ficaria eternizado. No meio digital, o temor do erro foi minimizado. Consertar equívocos é muito fácil.

Além disso, os custos com impressão – que em muitos casos poderiam ser um inviabilizador da produção de conteúdo – não existem no meio digital. Basta ter uma ideia na cabeça, um teclado e uma câmera (muitas vezes de celular) nas mãos e pronto! Surgem revistas, blogs ou textões em redes sociais para espalhar ideias por aí.

Com tudo isso, a criação de conteúdo – seja textual, seja de imagens – cresce a cada dia, num ritmo alucinante. E nós, da Refinaria, que lidamos com produção de relatórios anuais e com o compromisso com a transparência dos nossos clientes, somos constantemente provocados a mudar a forma de comunicar os dados.

Fazemos desde 2009 os relatórios anuais do BNDES. Ele já chegou a ter 230 páginas. Sempre visando a transparência e a entrega de dados – que, em sua maioria, já estão no site da instituição, mas que, diante da necessidade de fazer uma melhor entrega das informações, são organizados de forma atraente e sistematizada para que qualquer pessoa possa entender como a instituição funciona e quais foram as suas operações no ano anterior.

O Relatório Anual 2018, que acaba de ser impresso, tem 76 páginas e é o sexto numa linha editorial que quer se aproximar mais do modelo de revista e menos do modelo tradicional de relatório. Tudo para que possa ser lido rapidamente. E isso não significa menos entrega de dados ou até mesmo omissão deles. Isso é possível pelo uso de infografia e principalmente pelo cruzamento e disponibilização de dados na web. Não precisamos pôr tudo no texto; podemos levar o leitor a navegar pelo site e ter o desejo de se aprofundar nas informações que lá estão.

Se, por um lado, o mundo digital tem informação demais, fake news demais, erros demais, fotos demais, por outro, tem transparência, cruzamento de dados e ferramentas que facilitam a leitura disso tudo. Basta querer ler.

Para nós, a maior representação de caixa-preta é o que uma educação falha pode produzir. Temos problemas em sequência nesse sentido. Falta formação de leitores, falta discernimento aos leitores que temos, falta visão crítica. Quem não lê, não se aprofunda e não consegue entender o que, de verdade, não quer entender. Quem não entende, cria teorias confortáveis para poder se convencer do que quer, muitas vezes ignorando fatos verdadeiros e dados comprovados.

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